segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Portugal Telecom quer mais operadoras em África
A Portugal Telecom quer aproveitar o crescimento esperado para o mercado africano para aumentar a presença da operadora naquele continente.
A Portugal Telecom quer aproveitar o crescimento esperado para o mercado africano para aumentar a presença da operadora naquele continente.
Henrique Granadeiro, líder da PT, apontou, na cerimónia de assinatura da parceria com a Helios, que a operadora vai continuar a procurar oportunidades de crescimento em África, mas sempre "numa lógica de investimento selectivo em mercados ou operadores que nos ofereçam garantias de crescimento e em condições que consideremos geradoras de valor acionista".
Segundo João Pedro Baptista, líder da PT Investimentos Internacionais, os mercados da África do Sul, Congo, Nigéria, Quénia e Sudão poderão ser os alvos preferenciais da PT.
sábado, 11 de agosto de 2007
CRASH NA BOLSA em 10 Agosto 2007
Cotadas perdem mais de 3 mil milhões em dois dias
PSI-20 sofre maior queda desde 2004 com todas as cotadas no vermelho
As bolsas mundiais viveram hoje um dia verdadeiramente negro e a praça portuguesa não escapou ao "sell-off" nas acções. O PSI-20 fechou a descer 2,55%, registando a maior queda dos últimos três anos, e no espaço de dois dias o valor das cotadas do índice baixou 3,2 mil milhões de euros. No PSI-20 todas as cotadas fecharam no vermelho e 11 delas desceram mais de 3%.
As bolsas mundiais viveram hoje um dia verdadeiramente negro e a praça portuguesa não escapou ao "sell-off" nas acções. O PSI-20 fechou a descer 2,55%, registando a maior queda dos últimos três anos, e no espaço de dois dias o valor das cotadas do índice baixou 3,2 mil milhões de euros. No PSI-20 todas as cotadas fecharam no vermelho e 11 delas desceram mais de 3%.
A crise que está a assolar o mercado imobiliário norte-americano de alto risco e que culminou ontem com uma injecção recorde de liquidez no sistema financeiro por parte do Banco Central Europeu (BCE) está a provocar um autêntico terramoto nas bolsas mundiais. A autoridade monetária europeia voltou hoje a intervir no mercado e a Reserva Federal também já actuou, comprando activos no valor de 19 mil milhões de euros.
Mas o investidores estão literalmente a fugir dos activos com risco, receando os efeitos colaterais que esta crise poderá ter e a que a intervenção dos bancos centrais evidenciou.
Depois das fortes quedas de ontem, hoje os principais índices voltaram a sofrer desvalorizações acentuadas, com o IBEX [Cot] de Espanha a recuar 2,36%, o FTSE [Cot] londrino a deslizar 3,21%, o CAC [Cot] francês a perder 3,13% e o DAX [Cot] alemão a desvalorizar 1,24%. A origem do problema está nos EUA mas nesta altura os índices americanos até perdem menos de 1%.
Lisboa não foi excepção neste panorama que está a assolar as bolsas mundiais, já que o PSI-20 [Cot] deslizou ontem mais de 1% e hoje recuou 2,55%. Ainda assim, no acumulado deste ano, o PSI-20 está a valorizar 15,27%.
Esta é a primeira vez em dois meses que o PSI-20 cota abaixo da fasquia dos 13.000 pontos e desde 11 de Março de 2004 que não sofria uma queda tão acentuada - nesse dia também recuou 2,55%. Para encontrar uma descida maior terá que se recuar a 15 de Fevereiro de 2003, quando o índice recuou 3,49%.
Durante a sessão de ontem e ao longo de hoje, a perda acumulada pelas cotadas que integram o "benckmark" nacional ascende a 3,23 mil milhões de euros.
Só a Brisa acumulo um saldo positivo (ver tabela em baixo). BCP e Portugal Teelcom desceram mais de 500 milhões de euros.
As "large caps" estão a ser as mais castigadas
Tal como está a suceder lá fora, é o sector da banca que está a pagar a factura mais elevada pela crise que está a assolar o mercado hipotecário. 11 acções do PSI-20 desceram mais de 3% e 15 mais de 2%.
Hoje o Banco Comercial Português [Cot] desceu 3,93% para 3,67 euros, o Banco Espírito Santo [Cot] caiu 1,79% para 15,90 euros e o BPI cedeu 1,22% para 6,50 euros.
As outras duas "large caps" da bolsa nacional, a Portugal Telecom [Cot] e a Energias de Portugal [Cot] sofreram ambas perdas avultadas. A PT, apesar dos "research" positivos, recuou 3,40% para 9,66 euros.
As cotadas menos penalizadas
Todas as 20 cotadas do índice perderam valor, sendo que a Brisa foi a menos castigada. Entre as 54 empresas do PSI Geral só três subiram (Lisgráfica, Vista Alegre e Cires).
A Brisa [Cot] desceu "apenas" 0,3% para 10,07 euros, depois de ontem já ter amealhado um ganho de 0,8%. Além do reforço recente por parte da Capital Partners, a concessionária de auto-estradas está a beneficiar do seu estatuto de papel refúgio em alturas de queda generalizada da bolsa.
Já a Galp Energia [GALP] perdeu 2,3%, mas na sessão de ontem valorizou quase 2%, depois de ter anunciado uma descoberta "significativa" de petróleo no Bloco 14 em Angola.
A origem do problema
Tudo começou com a crise no mercado imobiliário norte-americano que levou ao aumento do incumprimento nos créditos hipotecários do chamado segmento "subprime", crédito hipotecário de risco elevado.
A crise do "subprime", que já dura há várias semanas, tornou-se mais visível depois do BNP Paribas ter anunciado a suspensão dos resgates em três dos seus fundos que investem no mercado hipotecário, alegando que estão subavaliados.
"A completa evaporação de liquidez em certos segmentos do mercado de securitização nos EUA tornou impossível avaliar correctamente os activos, tendo em conta o seu ‘rating’", afirmou o BNP Paribas
A crise do "subprime" levou a um forte aumento no custo do crédito, com os bancos a exigirem taxas de juro muito elevadas para emprestarem dinheiro. A taxa "overnight", utilizada pelos bancos para emprestarem dinheiro entre si, atingiu ontem, em dólares, os 5,86%, o valor mais elevado dos últimos seis anos, e que compara com os 5,35% de ontem.
Em euros, a taxa de juro atingiu os 4,62%, acima da taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE) que se situa nos 4% e mais alta que imediatamente a seguir aos ataques do 11 de Setembro.
"Os bancos reagiram a esta decisão do BCE como numa liquidação de um supermercado"
Este disparo nos juros levou o BCE a intervir no mercado financeiro injectando 94,8 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre. Na sequência do 11 de Setembro de 2001, o BCE injectou no mercado financeiro 69,3 mil milhões de euros.
A instituição liderada por Jean Claude Trichet disse mesmo que está disponível para providenciar um montante ilimitado de dinheiro aos bancos assegurando assim a manutenção da liquidez no mercado. A redução da liquidez no mercado interbancário dificulta o acesso dos bancos a fundos de curto prazo.
"Os bancos reagiram a esta decisão do BCE como numa liquidação de um supermercado" e "ficaram com tudo [dinheiro] o que podiam", disse um operador à Bloomberg.
Depois do BCE, outros bancos centrais injectaram dinheiro no mercado. A Reserva Federal norte-americana e o Banco do Canadá não implementaram nenhuma medida de emergência mas disponibilizaram um montante anormalmente elevado para as operações de mercado aberto (24 mil milhões de dólares e 1,55 mil milhões de dólares, respectivamente).
O Banco do Japão (BoJ) adicionou um bilião de ienes (6,19 mil milhões de euros) ao sistema financeiro do país e o Banco da Austrália colocou à disposição dos bancos o valor mais elevado dos últimos três anos.
A queda percentual e em valor das cotadas do PSI-20 em dois dias:
|
| Variação (%) | Valor (€) |
| BCP | -4,68% | - 650.039.400 |
| PT | -5,11% | - 587.005.120 |
| BES | -4,79% | - 400.000.000 |
| EDP | -2,39% | - 365.653.800 |
| Cimpor | -4,86% | - 241.920.000 |
| Sonae SGPS | -3,81% | - 160.000.000 |
| Portucel | -5,98% | - 138.150.000 |
| Semapa | -8,32% | - 123.065.696 |
| J. Martins | -3,97% | - 113.272.740 |
| BPI | -2,11% | - 106.400.000 |
| S. Indústria | -6,07% | - 89.600.000 |
| M. Engil | -5,30% | - 71.622.495 |
| Altri | -7,81% | - 53.334.216 |
| Sonaecom | -2,82% | - 47.612.097 |
Depois de ontem ter injectado 94,8 mil milhões de euros para contrariar a escassez de liquidez no mercado, o BCE voltou hoje a emprestar mais 61,05 mil milhões de euros. Os bancos centrais do Japão e da Austrália também já fizeram intervenções no mercado.
A intervenção da Fed surgiu depois das taxas de juro deferal funds terem iniciado o dia nos 6%, o valor mais elevado em seis anos. Depois da Fed ter comprado 19 mil milhões de dólares de activos hipotecários, estes juros desceram para 5,375%.
Os mercados mundiais assustaram-se com estas intervenções, mas o FMI, respondendo a jornalistas, mantém-se optimista.
"Olhando para a frente, e apesar da situação de crise ainda ser actual, continuamos a acreditar que as consequências das mesmas vão ser contornáveis. Os fortes fundamentais que sustentam o crescimento económico permanecem e o que está a acontecer é um desenvolvimento saudável", sublinha o porta-voz do FMI, Masood Ahmed em comunicado.
O mesmo responsável acrescenta que "as recentes acções dos bancos centrais deverão assegurar que o processo de ajustamento ocorra de maneira ordenada".
A mesma fonte explica ainda que o FMI tinha alertado para vulnerabilidades que iriam afectar os mercados na sua Global Financial Stability Reports e World Económica Outlooks, devido exactamente à crise no mercado hipotecário norte-americano. Mas, o FMI "está a monitorizar de perto esses desenvolvimentos", tendo em conta as suas responsabilidades no sistema monetário internacional.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
UBS recomenda “vender”
Resultados da Galp “positivos” mas acções “continuam caras”
Analistas do BPI, CaixaBI, Espírito Santo Research e UBS consideram que a Galp Energia apresentou ontem resultados positivos, mas as avaliações ficaram inalteradas para já. O banco de investimento suíço continua a recomendar “vender” as acções, por considerar que estas estão “caras”.
Analistas do BPI, CaixaBI, Espírito Santo Research e UBS consideram que a Galp Energia apresentou ontem resultados positivos, mas as avaliações ficaram inalteradas para já. O banco de investimento suíço continua a recomendar “vender” as acções, por considerar que estas estão “caras”. Os lucros da Galp Energia [Cot] cresceram 71% para os 285 milhões de euros no primeiro semestre, bem acima dos 257,7 milhões de euros esperados pelos analistas. A UBS refere que os lucros do segundo trimestre (166 milhões de euros) ficaram em linha com as suas previsões (165 milhões de euros), mas 20% acima do consenso do mercado. o EBITDA ajustado aumentou 29%, ficando abaixo das previsões. A casa de investimento suíço fez pequenos ajustamentos às suas previsões de resultados para a Galp, subindo a estimativa de lucros deste ano em 2% e baixando as previsões para 2008-2010 em 1%. A UBS continua a recomendar vender as acções da Galp Energia, avançando com preço-alvo de 8,75 euros. Afirma que avaliação da empresa na bolsa continua "cara". Destaca que a Galp está presente em várias áreas de negócio, mas "há melhores opções em cada um do sectores" e que a galp "não merece qualquer prémio de fusões e aquisições, pois este não é justificado". | ||
BPI vai rever previsões e ESR destaca margens de refinaçãoOs analistas do BPI e da Espírito Santo Research consideram que os resultados foram positivos, destacando o contributo da unidade de exploração & produção (E&P) de petróleo. No segundo trimestre os lucros ajustados cresceram 120% para 166 milhões de euros, 26% acima do esperado pela ESR, devido "ao valor inferior ao esperado nas amortizações". Os resultados da Galp "mostraram mais uma vez um forte crescimento da unidade de E&P, desta vez em conjunto com uma forte recuperação nas margens de refinação", refere a ESR; que recomenda "comprar" acções da Galp, com um preço-alvo de 8 euros.. |
Fundos de investimento portugueses ignoram REN
As carteiras dos fundos de investimento mobiliários (FIM) portugueses têm uma exposição diminuta à Redes Energéticas Nacionais (REN) e são várias as sociedades gestoras que não têm qualquer acção da mais recente cotada da bolsa nacional.
As carteiras dos fundos de investimento mobiliários (FIM) portugueses têm uma exposição diminuta à Redes Energéticas Nacionais (REN) e são várias as sociedades gestoras que não têm qualquer acção da mais recente cotada da bolsa nacional.
Segundo uma pesquisa efectuada pelo Jornal de Negócios junto da carteira dos 282 fundos FIM portugueses, 17 têm acções da empresa liderada por José Penedos, controlando um total de 2,62 milhões de acções, o que representa apenas 0,5% do capital da companhia. O mesmo levantamento efectuado para a Martifer, poucos dias depois da OPV da empresa, indicava que 40 fundos eram accionistas da empresa, controlando em Junho 4% do capital.